quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UM CHAPEU DE PALHA


Nasci palha nova…
Palha velha irei ser.
Como todas as coisas,
Eu irei envelhecer.

Conto histórias de muitas vidas
De lugares por onde passei
Foram muitas coisas sentidas,
Que agora aqui contarei.

Ouvi os sonhos das crianças
Do Sol, o olhar protegi.
Durante brincadeiras e danças
Com o seu riso me encantei.

Na praia, brincando muito
Vendo jogos à beira-mar.
Na toalha, descansando um minuto.
Para depois novamente brincar.

A cerimónias também fui,
Na cabeça de uma menina.
Decorado com uma fita, segui
Na companhia da pequena traquina.

Conto vidas de trabalho
No campo, de sol-a-sol.
Onde mãos enrugadas de um velho
Ficam queimadas pelo Sol.

Oh! Que lindo eu fui
Na cabeça de uma dama.
Belas paisagens vi
Sentado numa antiga varanda.

O vento quer dizer-me
Que saiba sentir, sorrir e amar.
Se digo que não sei, leva-me
Nas suas asas a flutuar.

Quando cai a noite
Já não sou tão preciso.
Tiram-me da cabeça, para que não voe
E guardam-me com um sorriso.

PALETA DOS SONHOS

Vou tentar mudar o mundo,
Torná-lo mais colorido
Ele não muda num segundo,
Mas tento dar outro sentido…

O amarelo dos sonhos
O campo irá doirar.
Tornar-nos muito risonhos
A fome poder tirar.

Do sonho verde,
A esperança é espalhada.
Olhai o mundo e vê-de,
Se a dor foi apagada.

O vermelho quer pintar
Sonhos de amor e paixão.
Quer as lutas fazer parar
E fazer nascer união.

Espalho a branca paz,
Com sorrisos em redor.
Olha a alegria que faz,
Tornar o mundo melhor.

Com o azul vou pintar,
Os sonhos sem ilusão.
Os outros vou deixar
Cada um pintar com o coração.

A quem não sabe sorrir,
O laranja vai ajudar.
O melhor há-de sempre,
Não desistas de sonhar.

O violeta é da flor,
Tons do suave ao escuro.
Pode simbolizar a dor,
Mas seguir é o futuro.

Com o preto na escuridão,
Há que juntar outra cor.
Podes sempre dar a mão,
Então sentir-se-ão melhor.

O DIA E A NOITE

És a minha estrela num universo de constelações.
Quando te pinto numa tela, sinto-me a passear pelas emoções.

Numa noite fria e escura, a Lua branca sussurra ao ouvido.
Fala-te com doçura, mostra-te um novo sentido.

Quando ouves musica suavemente, o luar vem ter contigo.
Se então sorriste alegremente, nessa noite sonhou contigo.

Uma nuvem de ti se enamorou, mas está longe de ti.
Quando o doce algodão de enlaçou, fui eu que me abracei a ti.

Tens as amigas estrelas, que brilham por te olhar,
Em qualquer lugar tu podes vê-las, sempre te irão iluminar.

Mas se a noite olha por ti, o dia também te quer guardar.
De noite, a Lua aconselha,
De dia, o Sol quer fazer-te brilhar.

Os planetas rodeiam o Sol, precisam da sua luz para os iluminar.
Se sorris, aparece o Sol, sozinha consegues brilhar.

Faz a tua luz não se apagar
E o teu futuro irá sorrir-te.
Faz o teu universo.

AOS CAMINHEIROS

Olhamos a natureza do alto,
Numa serra ou numa rocha.
Passeamos pelo planalto,
Atravessamos a rocha.

Uma parede escalamos,
Rappel fazemos a descer.
Pela natureza caminhamos
Porque gostamos de o fazer.

Na neve é giro acampar,
Pois fria não é a neve.
É preciso cuidado a andar
Pois ela é fofa e leve.

As paisagens da natureza,
São percorridas por nós.
Todo o mundo é beleza
Que depressa passa por nós.

O inesperado fotografamos,
Pelos caminhos pisados.
Algo maravilhoso recordamos,
Desses locais visitados.

Somos amantes do verde
Para podermos caminhar.
Olhai-o e vede
Para que o queimar?

Qualquer clima é enfrentado
Com cuidado e coragem.
Não ponhas a protecção de lado
Mesmo que pareça fácil viagem.

De noite também se caminha
Adicionando algum material
Vê o caminho e quem te acompanha
Usando o teu frontal.

Apanhamos o lixo da serra,
Nos caminhos por onde vamos.
A beleza de cada terra
Não somos nós que a sujamos.

À LUA

Sorridente…

Redonda no céu escuro.
Estrelas de mil cores,
São o teu jardim de flores.
Iluminam-te no escuro.

Pelo Sol és amada,
Dos poetas és amante.
Das alento na jornada,
Com a tua luz brilhante.

Quando o mar iluminas,
Dás prata à sua grandeza.
Se na noite brilhas
Apagas a leve tristeza.

Ergues-te na noite
Com as tuas diferentes fases.
És candeia no horizonte
Da sombra que sempre trazes.

Ao vento tu falas,
A chuva não te responde.
Se passam nuvens te calas,
Assim a natureza responde.

És companhia da solidão,
Das juras e do amor.
A ti te dou a mão,
Para sentir teu calor.

Quando não te vejo,
As estrelas falam comigo.
Se ver-te eu desejo,
Elas dizem que consigo.

O manto escuro te envolve,
Te destapa a claridade.
É o mundo que se move,
Vês do alto a realidade?

Branca elegância a tua,
Brilhante é o teu ser.
Não brilhas apenas na rua,
Mas em cada sonho a vencer.

A MINHA PRIMEIRA ESCALADA


Estava um pouco receosa,
Da altura que aquilo tinha.
Mas como sou corajosa,
Afastei o medo da espinha.

Escalada nunca fiz,
Mas gostei de estrear.
A Marta segurar quis
E eu lá fui a trepar.

Não foi fácil a subida,
Mas nunca desisti dela.
Assim será a vida,
Lembra-te da dificuldade dela.

Segura na cintura,
Pelo boldrier e mosquetão.
Corda pesada que segura,
Mas ajuda a dar a mão.

Assustei-me um bocadinho,
Quando o meu pé escapou.
Ia a meio do caminho,
Mas não me desanimou.

A saltitar eu desci,
A parede da escalada.
Do fundo então vi,
A altura tão distante e elevada.

Nunca tinha escalado,
Mas adorei experimentar!
Pus o medo de lado,
Não custou tentar e escalar.

AO 25 DE ABRIL E À LIBERDADE

Revolução da Liberdade,
Dos Cravos também chamada.
Onde está essa verdade,
Antes tão perguntada?

O Estado Novo caiu
Devido à bravura de alguém.
A Liberdade à rua saiu
Procurando não matar ninguém.

Que é feito da tirania,
Dos presos injustiçados?
Isso fora um dia,
Já não somos mal amados.

A censura e a opressão
Que tanto o povo assustaram.
Já podem dar a mão,
As opressões acabaram.

Salgueiro Maia, o herói
Desta revolução desejada.
Otelo, o mentor foi
Duma Liberdade anunciada.

Ontem havia medo,
A alegria a cadeado fechada.
A Liberdade era o segredo,
Para não estar aprisionada.

Somos livres de viver,
O sonho de uma vida.
Não queremos mais sofrer,
A alegria será vivida.

Onde chegámos agora,
Como viemos cá parar?
Pelos governos fora
Isto tende a piorar.

Queremos-te de novo,
Não te afastes de nós.
És a voz do povo
Dá-nos força a todos nós.

À NEVE

Quando cai a neve,
O branco cobre o chão.
A neve fofa e leve,
Que as luzes iluminarão.

As folhas de arvores despidas,
Não querem saber do frio,
A neve nos seus ramos despidos,
Ao derreter será grande rio.

Em casa ficas à janela,
Vês a brancura do céu cair.
Observas o sorriso dela,
Não queres deixá-lo de ouvir.

O céu se tornou cinzento,
Parecia que ficara triste.
Mas foi apenas naquele momento,
Enfeitara o mundo com a beleza que existe.

A neve traz a beleza,
Que nos países nórdicos encontras,
Nos países sul é incerteza,
Mas artificial é nas montras.

No branco encontras a pureza,
Que deve existir no coração.
Se o vês na natureza,
Tudo se transforma em ilusão.

A neve despede-se do tempo,
O frio e a chuva ocupam lugar.
Tudo não dura muito tempo,
O que vês está sempre a mudar.

A neve traz memórias,
Sonhos, momentos.
Do passado ficam histórias,
Revivem-se sentimentos.

NATAL

O Natal é das crianças,
Do sonho e da fantasia.
Por todo o lado canções e danças,
Misturado com alegria.

Lembramo-nos dos mais pobres,
Juntamos o possível para lhes dar.
Transformamo-nos em nobres,
Para a todos ajudar.

Luzes enfeitam o pinheiro,
Uma vela em casa de alguém.
Por não ter muito dinheiro,
Desse alguém, se lembrou ninguém.

O Natal é consumismo,
Presenteamos todos e mais alguns,
No resto do ano fica o egoísmo,
Não podemos ajudar nenhuns.

Montamos o presépio de figuras,
Correspondentes à imaginação.
As realidades são mais duras,
Apenas fingimos que não.

Pai Natal de barbas brancas,
Nesta época és muito amigo.
Dizem que abraças e ouves as crianças,
Mas não ajudas o solitário mendigo.

Natal fingido e enganador,
Demonstrado apenas num dia.
Dá presentes reais, como afecto e amor,
Serás recordado com mais alegria.

UM MUNDO DE ESPERANÇA

Onde vou contigo?
No meu peito estás comigo…
Mas não consigo sentir-te…
Estendo a minha mão…
Mas apenas sinto o escuro da vida…
O escuro da noite sem estrelas ou sem Lua cintilante…
O vento indica-me o caminho a seguir…
Espera por mim…
Estou apenas só…
Procuro a tua estrela para que me ilumine…
Me guie nesta escuridão onde estou mergulhada…
Onde desejo ver uma luz…
E onde espero que a Lua brilhe novamente, sem fim…

Vamos voar juntos até ao infinito…
De onde podemos observar o mundo que foi construído sem sentido…
Mas que sempre podemos melhorar…
Podes ter esperança que o bem existe…
É construído por alguém que resiste…
Resiste à maldade do mundo.
Não me abandones para que este mundo não seja apenas ilusão.
Vem comigo, dá-me a tua mão…
Passearemos pela paz, pela alegria, pelo Sol e pela Lua… Abraçaremos as nuvens e as estrelas…
Mergulharemos nas ondas da esperança.
O dia amanheceu sem luz, espelha na face a tristeza…
De quem sente a incerteza a que algum sonho não conduz.
Sente a alegria em teu redor, envolta numa nuvem de amor.
Espalha luz pelo universo, faz da inspiração um verso.
Não apagues esse sorriso que tanto me encanta…
Fá-lo brilhar no mundo, mesmo que dure um segundo na vida.

SERRA DA PENEDA-GERÊS


Chuva que cais
Na serra do Xurês-Gerês.
Diz-me para onde vais
Diz-me quem tu vês.

Percorrem-te grandes rios,
De caudal frio e forte.
Na tua serra há dias frios,
Estás no Portugal do Norte.

O teu verde gosto de ver,
Faz-me falta podê-lo olhar.
Na cidade não o vais ter,
Preferem destruir ou queimar.

Tua inigualável natureza,
De verde tão natural,
Transforma esta beleza
Numa serra sem igual.

A chuva forte e gelada,
Que tanto enche barragens,
Imagino-te serra nevada
Cobrindo de branco as pastagens.

Quando os pássaros te sobrevoam,
Para o infinito que vão alcançar.
Faz-me lembrar os sonhos que voam
E não consigo conquistar.

A ESTRELA

Quando olhares o céu, pensa em quem quiseres, onde estiveres.
Sorrindo, escolhes uma estrela, para então a retratares numa tela.
Mas para onde foi a estrela?
A estrela foi procurar abrigo no coração de alguém que também precisava de amizade.
Mas quando te sentires triste, ela voltará sem te aperceberes e então darás algo bonito!
Um sorriso!
Não abandones essa esperança, deixa-a morar sempre no teu coração.
Porque um dia alguém também te dirá que te adora.
Então pensas na estrela que sempre te ajudou.
A amizade nunca te abandonou e sempre te ajudará.

NEVE ESTRELA

Vejo a neve cair,
Na Serra da Estrela estou a acampar.
Logo à noite, cedo vou dormir,
Porque amanhã cedo vou caminhar.

Saltando de pedra em pedra,
A Estrela, eu irei percorrer.
Estrela, eu adoro-te a ti,
Beleza como tu nunca vi.

No Vale da Candeeira,
Um carvalho farei crescer.
Sol que brilha o irá iluminar,
E a neve não o pode derreter.

O coração na Estrela deixei,
Quando um dia lá fui acampar.
Que linda paisagem sempre verei
No meu coração vais ficar.

A Estrela pede muitos carvalhos,
Para um dia mais bonita ficar.

ONDE ESTÁS AMOR?

Onde estás amor?
Onde te posso encontrar?
Num sorriso… nas estrelas… numa pauta de musica a tocar…
Danças ao som da suave melodia…
Da melodia do teu sonhar…
Para quem sorris-te?
Preciso de te abraçar…
Para onde fugis-te?
Não te consigo encontrar…
Ouves-me perguntando por ti?
Sentes-me a procurar-te no mundo?
Por vezes muda tudo num segundo… mas para mim não é assim…
Vou continuar a procurar-te… desejo um dia encontrar-te…
Sei que não acredito muito em ti…
Mas enquanto não me queres na tua existência, vou esperando por ti.
Gostaria que não me esquecesses… que por não te querer me perdoasses.

Não serás tu uma ilusão? Sonho fechado numa mão?
Bola de sabão ilusionista, capaz de cegar quem de ti se aproxima…
Contigo também o ciúme vem acima.
Trazes desprezo, trazes ódio… trazes violência e morte sem preço…
Não quero sofrer por ti, há minha volta raro te senti…
Não quero pertencer-te. Afasta-te! Não sinto a tua falta.
Comecei por te procurar… agora quero-te afastar.
Sorrio na rua ao passar por ti, pensava na tua existência…
Não tenho pena de mim, estou bem assim…
Amor, trazes o vazio…
Mas não passas de uma palavra que todos dizem sentir…
Mas apenas alguns te sentem a sério.
Vou então dar-te a quem precisa.

Homenagem aos Soldados da Paz

Bombeiro!
Ilustre Soldado da Paz!
Que tentas manter
Apagando os fogos
De quem ateia os campos
Transformando o fumo negro
Em branco, transparente.

Procuras Ajudar o doente
Seja adulto, idoso ou criança.
Para os outros, estás presente
Constituindo uma aliança.

O teu espírito é de altruísmo
O teu sonho não é ser maior.
Ao ajudar, mostras o teu simbolismo
Mostras o que é amor.

“Vida por Vida” é o teu lema.

UMA PAISAGEM

Sentada na rocha, perto do areal, observo o contraste colorido do lugar onde estou.
Um azul imenso e brilhante, com tons avermelhados, vem beijar o areal claro e macio.
Muitas árvores verdes, por trás da rocha, separam o progresso humano da natureza que não sofre a mudança forçada.
Com o pôr-do-sol, chega a leve brisa marítima.
Chegou a noite!
Uma noite de luar e estrelas, sem uma única nuvem, mas não fria.
Fria é a neve branca que alguns lugares embeleza.
Tão macia como algodão!
A natureza é bela!