domingo, 8 de agosto de 2010

FOTOGRAFIA

Na máquina fotográfica
Aquele momento ficou!
Marcado…
Perpétuo…
Pelo tempo!
Uma paisagem… um olhar…
Uma cor…
Um olhar pelo tempo… pelo momento
Que fica marcado num rectângulo,
Num ecrã ou em papel…
Depois guardas em álbuns para mais tarde recordar.
Mas aquele “Click!”
Lá ficou!
E ficará!
Foi uma expressão do teu pensamento…
Do teu espaço… do teu sentimento.
Algo que poderás legendar…
E mostrar a quem queres…
Suscitando opiniões diversas de critica ou apreço.
Aquela foto lembrou-te um poema... de alguém ou apenas teu.
O teu expressar a bater de novo…
A escrita, a imagem que surge.
Como essas, outras surgirão.
Que ficarão no tempo.

sábado, 29 de maio de 2010

NO ESPELHO

Hoje olhei o espelho
Através dele… para lá da imagem reflectida…
Senti-me longe, a navegar…
Imaginei-me alguém que não estava ali…
Que vivia outras historias.
Encostei a mão ao espelho… Senti o frio…
Mas eu não estava ali…

Então do outro lado…
Vi uma batalha…um soldado pôs as suas mãos do outro lado do espelho… espelhando as minhas…
Olhou-me…
Escreveu “Luta” e seguiu para a batalha.
Estava a vê-lo lutar e ele festejou… a batalha fora ganha, e todos os envolvidos festejavam… por terem saído vitoriosos.
Então, naquele nevoeiro que cobria o campo impregnado de morte, surgiu uma luz e ele foi-se dissipando. Um novo dia nascia.
O soldado desapareceu, assim como os outros, depois de me acenar.

A paisagem também foi mudando, até que se tornou um bosque, verde e misterioso.
Nele, alguém apareceu a correr e parou.
Era uma rapariga, mas não era eu.
Parecia fugir de alguma coisa… algo a perseguia sem parar…
Ela corria e parava um pouco, mas sempre olhando para trás.
Quando a rapariga se aproximou do espelho…
Pôs as mãos com as minhas… e sorriu…
Fiquei surpreendida…
Mas a rapariga do espelho recomeçou a correr.

Então o bosque foi desaparecendo…
Aquele verde estava a ser devorado pela escuridão.
Fiquei com as mãos no espelho… No vazio…
Daquele vazio surgiram estrelas de mil cores…
Que se foram espalhando até se afastar a noite…
E eu surgi no meio das estrelas.
Olhava aquilo muito surpreendida…
Que significava?

Afastei as mãos do espelho…
E estava de novo no meu quarto… no meu mundo real.
Olhei em volta...
Nada tinha mudado…
Fiquei a pensar o que seria aquilo.

Afinal…
Era eu em cada uma das situações…
O soldado que lutou pela conquista…
A rapariga que fugia do passado, sem o conseguir…
E a magia que eu posso ter…
Em cada um de nós existe essa magia para espalhar com os outros…

HOJE APETECE-ME PINTAR

Hoje apetece-me pintar…
Dar cor a algo
Apagar os tons de cinzento
E construir novos tons…
Mas por onde irei começar?
Pego num pincel…
Escolho uma cor ao acaso
Para começar a minha obra.
E pinto…
E misturo…
E retoco…
E dou várias voltas.
Mas a chuva que começou a cair,
Estragou a minha pintura.
Desapareceram todos os tons.
A tela ficou branca, vazia… sem nada.
Dei um novo titulo…
Recomecei…
Desta vez a chuva não se mostrou disponível
Para estragar a tela.
Surge algo indefinido…
Mas que ganha novos horizontes e cores.

Surgiu um arco-íris…
Surgiram flores de diversas cores…
Surgiram animais…
Surgiram nuvens…
Surgiu… da imaginação.

PÁGINA NO TEMPO

Quero virar a página…
Onde a vida não sorri…
O sonho que ainda não vivi…
Os amigos que não esqueci…
Onde ainda não fui, irei…
O que ainda não fiz, farei…
Ou então não!
Deixarei para outro futuro,
Outro tempo...

Tempo?!
Uma palavra esquecida para alguns.
Para outros, é algo que não querem ter.
Tempo…
Para sonhar…
Para sorrir…
Para amar…
Para sofrer…
Para a solidão…
Para tanto que acontece numa vida…
Porque o tempo é necessário…
Para pensar…
Para ouvir e compreender…
Para a dor…
Para viver
Para sentir…
Porque ele existe, mas esquecemos.
Tempo para sermos dos outros…
Tempo para pertencer a si próprio…

Porque está sempre a mudar… Nós também…
Por isso, as nossas páginas não são sempre iguais.
Vamos modificando…
São escritas com os outros…
São escritas apenas por nós…
Com as nossas alegrias e tristezas, sonhos e sentimentos.
Porque queremos saber se conseguimos ser nós próprios…
Ou se somos apenas a imagem que os outros querem para nós…

Mas ele não volta para trás.
Segue indiferente o seu caminho…
Deixando suaves ou marcadas pegadas…
No coração…
Num ser…

ENQUANTO O SONO NÃO VEM

É noite!
Devia estar a dormir!
Mas não consigo.
Então levanto-me e com suavidade afasto a cortina da janela.
Lá fora, a noite fria
Banha de escuridão a mística serra de Sintra.
E observando a rua,
Os meus pensamentos vão vagueando.

Por onde passeio eu?
Penso em alguém…
Penso em mim…
Penso na minha vida,
Onde ando tantas vezes perdida…
Passeio ainda pelo que já vivi.

Sorrio olhando pela janela,
Relembrando algum momento feliz que passei…
Num passado longínquo ou ainda algo presente.
Imagino historias de encantar,
Para aos pequenos contar...
Historias onde eles são os príncipes e princesas
Deste mundo incerto.
Castelos construídos a passo,
Onde envoltos por nuvens coloridas…
Encontramos os sentimentos.

Se o sono vem,
Então deito-me na cama quente.
Mas a inspiração continua…
E a escrita também…
Enquanto o coração ainda sente,
O calor da inspiração dita-me as palavras a escrever.
Escrevo uma carta,
Escrevo um poema,
Desabafo a dor, a alegria, a desilusão…
Retiro do coração o pedaço esquecido de sonhar
Para que um sorriso o ilumine de novo.

Por vezes, quando o cansaço já é algum…
Adormeço sem dar por isso…
Então ouço um bater…
Acordo!
Foi o meu telemóvel que caiu!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UM CHAPEU DE PALHA


Nasci palha nova…
Palha velha irei ser.
Como todas as coisas,
Eu irei envelhecer.

Conto histórias de muitas vidas
De lugares por onde passei
Foram muitas coisas sentidas,
Que agora aqui contarei.

Ouvi os sonhos das crianças
Do Sol, o olhar protegi.
Durante brincadeiras e danças
Com o seu riso me encantei.

Na praia, brincando muito
Vendo jogos à beira-mar.
Na toalha, descansando um minuto.
Para depois novamente brincar.

A cerimónias também fui,
Na cabeça de uma menina.
Decorado com uma fita, segui
Na companhia da pequena traquina.

Conto vidas de trabalho
No campo, de sol-a-sol.
Onde mãos enrugadas de um velho
Ficam queimadas pelo Sol.

Oh! Que lindo eu fui
Na cabeça de uma dama.
Belas paisagens vi
Sentado numa antiga varanda.

O vento quer dizer-me
Que saiba sentir, sorrir e amar.
Se digo que não sei, leva-me
Nas suas asas a flutuar.

Quando cai a noite
Já não sou tão preciso.
Tiram-me da cabeça, para que não voe
E guardam-me com um sorriso.

PALETA DOS SONHOS

Vou tentar mudar o mundo,
Torná-lo mais colorido
Ele não muda num segundo,
Mas tento dar outro sentido…

O amarelo dos sonhos
O campo irá doirar.
Tornar-nos muito risonhos
A fome poder tirar.

Do sonho verde,
A esperança é espalhada.
Olhai o mundo e vê-de,
Se a dor foi apagada.

O vermelho quer pintar
Sonhos de amor e paixão.
Quer as lutas fazer parar
E fazer nascer união.

Espalho a branca paz,
Com sorrisos em redor.
Olha a alegria que faz,
Tornar o mundo melhor.

Com o azul vou pintar,
Os sonhos sem ilusão.
Os outros vou deixar
Cada um pintar com o coração.

A quem não sabe sorrir,
O laranja vai ajudar.
O melhor há-de sempre,
Não desistas de sonhar.

O violeta é da flor,
Tons do suave ao escuro.
Pode simbolizar a dor,
Mas seguir é o futuro.

Com o preto na escuridão,
Há que juntar outra cor.
Podes sempre dar a mão,
Então sentir-se-ão melhor.